Blumhouse, de volta para casa (Edição nº 01)

“Torres… tenho uma proposta”

Bernardo Brum é um dos meus colegas de trabalho mais longevos. Há quase 10 anos, desde tempos áureos do Cineplayers. É também, cá entre nós, um dos colegas mais queridos e talentosos. Assim, é sempre uma honra quando ele vem me mostrar um projeto novo ou me fazer um convite — que até aqui você já deve imaginar qual seja: participar da retomada do Cine Cafe. O que só envolve coisa boa.

A ideia do Brum partiu de um dado incrível: o antigo blog Cine Café segue atraindo milhares de visualizações depois de 7 anos sem qualquer atualização. Algo surpreendente, mas nem tanto — o material do blog sempre foi muito bom. Textos exclusivos, aprofundados e muito bem escritos por uma ótima equipe. Aliás, formada só por gente boa; é raro participar de um projeto tão colaborativo, com pessoas tão propositivas e abertas a trabalhar em equipe.

O cerne dessa reformulação, basicamente, é um só: o blog Cine Café passa agora a se chamar Revista Cine Cafe (assim mesmo, sem acento). Com edições mensais dedicadas a temas específicos: artistas, escolas, eventos, o que for. Extraordinariamente, grandes obras ganharão críticas — no que chamamos de edição De Bolso da revista. Na seção Cafe Retro, atualizaremos a página com os textos “clássicos” do blog que nos trouxeram aqui.

Eu, Rodrigo Torres, sou um intruso na formação da Revista Cine Cafe ao lado do Ted Rafael — um caba cujo habitat é o Ceará, o set de filmagem e a cena de horror brasileira. Nós dois nos juntamos a quatro membros fundadores do antigo blog: Guilherme Bakunin, nossa referência cult em tudo que é arte; Luiz Carlos Wanderley, um boomer de alma que sonha em ser escritor, mas paga boleto vendendo cerâmica; Michael Barbosa, cara fera em comunicação que ama os irmãos Coen; e o próprio Brum, que escreve críticas com a facilidade que eu tenho pra procrastinar.

A Revista Cine Cafe nasce assim, aqui. Movida por um desejo pessoal de cada um de manter a criatividade acesa e lastrear nossa inspiração sempre que a tivermos. Mas com um objetivo comum, institucional: convidar o leitor a discutir cinema com a gente. Bora?

Jason Blum, o homem por trás da Blumhouse Productions
Jason Blum, o dono da Casa do Horror (Foto: Matt Sundim)

Blumhouse Productions

O lançamento da revista em pleno mês do Halloween facilitou muito o processo de definição de sua edição #01. A trajetória de Jason Blum também. O produtor trabalhou para a Paramount e para Bob e Harvey Weinstein na Miramax antes de tomar a melhor decisão de sua vida: fundar a Blumhouse Productions no ano 2000.

A Blumhouse parte de um conceito simples: fazer filmes de micro-orçamento e, então, permitir um controle criativo macro de seus autores. Assim, a produtora pavimentou seu sucesso, ganhou prêmios mundo afora, entrou para a história do Oscar e, de quebra, mudou o panorama em Hollywood. Como a especialidade da produtora de Jason Blum é o cinema de terror, sua escolha foi natural como tema da nossa primeira edição especial de Halloween — composta de 13 textos para temperar ainda mais a ocasião.

Doutora em zumbi, a convidada Maria José Barros inaugura o nosso Top Top definindo os 5 melhores filmes da Blumhouse. Também convidado, o especialista em cinema negro Igor Guimarães traça um paralelo entre o horror social de Jordan Peele (Corra!, 2017) e a abordagem romantizada que se vê por aí sobre a (dura) trajetória do atleta olímpico Jesse Owens.

Às vésperas da eleição americana, Donald Trump ganha espaço nessa edição porque censurou A Caçada (2020) antes mesmo de ver o filme — e de constatar que Craig Zobel e Damon Lindelof realizam sua visão delirante de que os democratas são adversários cruéis dispostos a estraçalhar a América conservadora. Ainda no campo do horror político, texto sobre a franquia Uma Noite de Anarquia (2013— ).

Outro filme recente da Blumhouse, O Homem Invisível (2020) volta os holofotes sobre o trabalho autoral horrífico de Leigh Wannel quase 20 anos após ele criar Jogos Mortais (2004). Na outra ponta, o convidado Anderson Luiz Costa honra a pedra fundamental do sucesso da Blumhouse com uma retrospectiva sobre a franquia Atividade Paranormal (2007— ).

O terror found footage de Atividade Paranormal é tema de um artigo sobre outra cinessérie, Creep (2014, 2017). Guilherme Bakunin discute ainda o renascimento do diretor M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido, 1999) com a Blumhouse via os filmes A Visita (2015), Fragmentado (2016) e Vidro (2019).

Falando em resgate e falando em Dia das Bruxas, é isso que o Ted faz em artigo sobre a volta da franquia Halloween (2018), da Jamie Lee Curtis e do mestre John Carpenter. Por fim, essa edição #01 da revista declara respeito à sua essência,  cunhada lá no antigo blog, ao criticar dois filmes menores da Blumhouse Productions: Canibais (2013) e Cam (2018).

Venha curtir esse Halloween com a gente.

Seja bem-vindo à Revista Cine Cafe.

Revista Cine Cafe #01 Blumhouse, de volta para casa

M. Night Shyamalan e sua ressurreição na Blumhouse, por Guilherme Bakunin

Testemunhem a suspensão do Eu em Cam, por Bernardo Brum

Corra! Onde estava o medo de Jesse Owens?, por Igor Guimarães

A Caçada contra a estupidez de Donald Trump, por Rodrigo Torres

Halloween: a mitificação mascarada do monstro em perspectiva, por Ted Rafael

Uma Noite de Crime: faça o horror político de novo, por Bernardo Brum

Improviso macabro: horror como criação em Creep, por Guilherme Bakunin

A câmera possuída de Atividade Paranormal, por Anderson Costa

Canibais e o massacre do ativismo imbecil, por Ted Rafael

Leigh Whannell, um autor de terror, por Bernardo Brum

Os melhores filmes da Blumhouse, por Maria José Barros

Rodrigo Torres

Minha vida é um dilema: amo Jornalismo mas fiz Letras, sou de humanas e miro a tecnologia, digo que cinema é hobby e não paro de tratar como trampo. Minha vida é um dilema: amo.

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